domingo, 6 de outubro de 2013

A debandada do PSDB continua e partido se enfraquece ainda mais no Ceará

O único nome do PSDB que restava na Assembleia Legislativa anunciou ontem que também sairá do partido. De olho na sobrevivência política, o deputado estadual João Jaime resolveu acompanhar a revoada geral tucana e seguirá para o DEM, dias após os também deputados Téo Menezes e Fernando Hugo terem decidido debandar.

A sigla que por 16 anos comandou soberana o Ceará fica, agora, sem qualquer representação no Legislativo estadual, restando apenas dois tucanos com mandato de peso no Estado: o deputado federal Raimundo Gomes de Matos e o vereador de Fortaleza Carlos Dutra.

Em meio às especulações sobre trocas de sigla, Jaime chegou a dizer que não abandonaria o PSDB. Mas, no fim das contas, pesou o cálculo eleitoral. Diante da possível ausência do ex-senador Tasso Jereissati na disputa de 2014 e sem a robustez partidária de outrora, os “resistentes” da legenda deverão ter dificuldades para atingir o coeficiente eleitoral. “Fiquei dividido entre ficar e não ser candidato ou sair e tentar me reeleger. Pesou a decisão de ficar na vida pública”, justificou Jaime ao O POVO, em meio a lamentos pela partida.

O esfacelamento do PSDB no Ceará é encarado com pouca autocrítica pelos que continuarão na legenda. Questionado se o partido teria cometido algum erro estratégico, o atual presidente estadual da sigla, ex-senador Luiz Pontes, retrucou: “O nome disso é governo, minha filha. Há uma ação muito forte do governo em cooptar todo mundo da Assembleia. E a lei permite a promiscuidade de mudar de partido como quem muda de camisa”, analisou.

Pontes disse que a saída dos tucanos foi pacífica e que o PSDB não irá reivindicar os mandatos de quem for para siglas já existentes – caso de Jaime e Téo Menezes, já que Fernando Hugo se filiará ao Solidariedade, recém-registrado. Entretanto, o presidente do partido pareceu irritado com os argumentos dos dissidentes. “A desculpa dessas pessoas de que vai ser difícil se eleger, toda eleição é difícil. Quem não quiser dificuldade, fica em casa”, disse.

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