sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

PMDB agora já pensa na Secretaria dos Portos na reforma ministerial

Enquanto a presidente Dilma Rousseff tenta aplacar o apetite de aliados por cargos na reforma ministerial, o PMDB apresentou uma demanda de última hora: agora, o partido quer a Secretaria de Portos.

A petista abriu as negociações sobre as trocas no primeiro escalão na segunda de olho em ampliar seu tempo de rádio e televisão na disputa presidencial deste ano. Ou seja: terá de usar as mudanças para contemplar o maior número de partidos.

A estratégia acabou desagradando o PMDB. A legenda foi informada que a presidente resistia em ampliar o espaço do partido, hoje com cinco vagas na Esplanada.

Ontem, Dilma se reuniu com seu vice, Michel Temer, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ambos interessados em convencê-la a fazer concessões para debelar rebeliões no PMDB.

Inicialmente, os peemedebistas almejavam o comando do ministério da Integração Nacional, hoje nas mãos do Pros. Com a resistência de Dilma, a legenda passou a reivindicar a Secretaria de Portos, visto como uma espécie "primo pobre" da Esplanada.

Trocar Portos por algum dos cinco ministérios do PMDB, como Turismo, foi uma das alternativas propostas à presidente durante a reunião de ontem.

Além do PMDB, Dilma já falou sobre a reforma com o PT e o PSD. Ela ouvirá também o ex-presidente Lula para desatar os nós da reforma.

A palavra final sobre o desenho da reforma deve ser dada só depois do dia 29. Até agora, o tema ainda traz mais pendências que definições. O ministro Aloizio Mercadante (Educação), apontado como o futuro chefe da Casa Civil no lugar de Gleisi Hoffmann, ainda não foi convidado pela chefe. Dilma também não decidiu quem substituirá Alexandre Padilha na Saúde, que concorrerá ao governo de São Paulo.

Segundo peemedebistas, um dos motivos para Dilma receber Temer ontem foi a ameaça do PMDB de discutir alianças estaduais com PSDB e PSB, futuros adversários da presidente, em palanques como Rio e Ceará.

Insatisfeitos com o Planalto, a cúpula peemedebista se reuniu na noite de ontem, no Palácio do Jaburu, residência de Temer.

Nos bastidores, um peemedebista defendeu inclusive que, no Rio, Dilma ficasse sem subir no palanque de Luiz Fernando Pezão, afilhado do governador Sérgio Cabral (PMDB), caso os dois partidos não se entendam. Há focos de rebelião também no Ceará, Bahia, Maranhão, Paraná, Piauí e Paraíba.

Para o presidente em exercício do PMDB, Valdir Raupp (RO), o partido "não está colocando a faca no pescoço" da presidente nas discussões sobre a reforma política. O peemedebista disse que "não vê problemas" com as pretensões peemedebistas por mais espaço. 

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