domingo, 30 de março de 2014

Cresce número de mulheres vítimas de agressão no CE

O número de mulheres assassinadas no Ceará tem crescido a cada ano. Conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), em 2010, foram 182 vítimas da violência. Em 2011, 184 óbitos foram registrados. Em 2012, foram 212 mulheres assassinadas. Ano passado, o número cresceu para 267. Em 2014, nos primeiros dois meses do ano, a SSPDS já contabilizou 48 vítimas.

De janeiro a março do ano passado, foram 2.662 casos de violência doméstica contra mulheres registrados somente em Fortaleza, segundo o Observatório de Violência Contra a Mulher (Observem), da Universidade Estadual do Ceará. Ao todo, o ano de 2013 contabilizou 9.980 casos. Em 2012, nos três primeiros meses do ano, foram registrados 2.578 boletins de mulheres vítimas da violência. Aquele ano terminou com a marca de 10.401 registros deste crime.

Em 2014, o Observem já catalogou 629 casos somente em janeiro. Desde agosto de 2013, quando 854 casos foram registrados, os números de ocorrência vêm em decrescente.

Para o promotor do núcleo de gênero pró-mulher do Ministério Público de Fortaleza, Anaílton Diniz, os números são alarmantes e necessitam de cuidados para que a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, possa ter efetividade. "A Lei é desafiadora, pois veio para mudar uma cultura, do homem que bate na mulher", diz.

De acordo com ele, há a necessidade de maior atenção do Estado para combater com eficiência a violência no lar, inclusive ampliando o número de delegacias especializadas e juizados. Ele considera corriqueiro o arrependimento de denúncias aos agressores e a retirada das queixas por parte das mulheres, muitas vezes pressionadas pela família do agressor e pelo próprio agressor, dificultando os trabalhos de investigação policial.

Contudo, na opinião do membro do Ministério Público, o maior furo de toda a ação combatente à violência doméstica está na ressocialização dos agressores. "É preciso um centro permanente para reeducação do homem agressor", ponderou. Para o promotor, a violência doméstica é responsável, também, pela disseminação da violência urbana. "Tratam a violência doméstica com descaso, quando deveria ser a primeira preocupação da sociedade e do Estado", diz. Fonte: DN

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