domingo, 17 de maio de 2015

Ex-presidente do Egito é condenado à morte

Mohammed Mursi
Um tribunal egípcio condenou à morte, ontem, o presidente deposto do Egito, Mohammed Mursi, por uma fuga em massa de detentos em 2011.

No mesmo processo foram condenados outros 105 réus. A organização de direitos humanos Anistia Internacional criticou a decisão, que qualificou de "fantoche".

A acusação era de que o ex-líder e outros altos membros do seu partido - a Irmandade Muçulmana, hoje banida no Egito - orquestraram uma fuga em massa de detentos em 2011 com o apoio de grupos islâmicos Hamas e Hezbollah. O episódio foi parte da Primavera Árabe egípcia, que culminou com a queda do então presidente Hosni Mubarak após 30 anos no poder.

"Condenar Mohammed Mursi à morte após julgamentos injustos feitos de forma grosseira mostra um total desprezo pelos direitos humanos", disse Said Boumedouha, vice-diretor da Anistia para o Oriente Médio e Norte da África.

"O processo estava contaminado antes mesmo de ele por o pé no tribunal. O fato de ter permanecido incomunicável sem acompanhamento judicial e não ser representado por um advogado durante as investigações tornam estes julgamentos nada mais que um fantoche baseado em procedimentos nulos e inválidos", denunciou.

Para a Anistia Internacional, o julgamento "mostra o estado deplorável do sistema de Justiça criminal" do país.

As sentenças de morte no Egito são levadas para análise do Grande Mufti, a mais alta autoridade religiosa do país. Existe a possibilidade de recurso na Justiça, mesmo que o líder religioso mantenha a decisão.

Outras acusações

Em abril, Mursi já havia sido sentenciado a 20 anos de trabalhos forçados pela prisão e tortura de manifestantes durante os protestos que antecederam sua deposição. Doze outros réus foram condenados no mesmo caso.

Em outros processos, ele é acusado de vazar informação confidencial para o Catar e de insultar o Judiciário. Fonte: DN

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