sábado, 12 de setembro de 2015

Aliados querem usar reforma para tirar Mercadante

Mercadante e Dilma
Diante do agravamento do quadro econômico e político, a presidente Dilma Rousseff está sendo pressionada pelo PMDB e pelo PT a aproveitar a reforma administrativa para substituir o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, considerado “desagregador” no trato com o Congresso Nacional. Pelo menos desde julho, Dilma avalia a possibilidade de mexer no núcleo do governo, mas, oficialmente, o Palácio do Planalto nega a informação.

“Mercadante é um ministro que detém todo o respeito da presidente Dilma. Ele é fundamental na articulação dos principais projetos e colabora na construção da governabilidade junto com o vice-presidente Michel Temer e com o ministro Eliseu Padilha”, disse ao Estado o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. “É uma figura central para a construção das condições de retomada do crescimento”, afirmou Edinho.

Temer e Padilha já se desentenderam várias vezes com Mercadante. O vice-presidente, que comanda o PMDB, deixou o “varejo” da articulação política do Palácio do Planalto, no mês passado, aborrecido com o petista. Padilha, que é titular da Aviação Civil, ainda despacha na Secretaria de Relações Institucionais, mas já anunciou que também não ficará na função.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a amigos, nos últimos dias, que perdeu a conta de quantas vezes sugeriu a Dilma a substituição de Mercadante pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, também do PT. Até agora, a presidente resistiu à ideia e pediu à Secretaria de Comunicação Social que desmentisse “com veemência” os rumores sobre a saída do ministro.

Apesar das negativas, petistas avaliam nos bastidores que Dilma terá de trocar Mercadante para que a crise política diminua. Não são de hoje, também, as críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao chefe da Casa Civil.

A presidente, até agora, tem resistido a rifar o “capitão do time”. Recentemente, um importante parlamentar do PT disse a ela que os principais problemas do governo residem na Casa Civil. A queixa é de que Mercadante centraliza as decisões, é teimoso e não tem jogo de cintura política. Temer e ele se desentenderam, no mês passado, por causa de uma indicação para uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal.

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