sábado, 31 de outubro de 2015

Pacientes reclamam da falta de medicamentos no Hospital São José

A falta de remédios no Hospital São José, em Fortaleza, para o tratamento de doenças oportunistas tem preocupado pacientes que vivem com HIV/Aids. Profissionais da unidade, que é referência no tratamento de doenças infecciosas, relatam que desde agosto a distribuição destes medicamentos está irregular. Dos 34 itens básicos - principalmente antibióticos - 14 estavam em falta. Destes, segundo um dos médicos infectologistas da unidade, somente oito foram repostos no início da semana, mas ainda de forma insuficiente.

"A dificuldade com a distribuição destes remédios ocorre desde abril, mas nesse tempo, o São José pediu empréstimo a outros hospitais e conseguiu ir suprindo essa falta. Porém, desde agosto, há essa carência total de 14 itens", garante o médico infectologista que atua no Hospital e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Érico Arruda.

As infecções oportunistas são doenças que aproveitam-se da fragilidade do sistema imunológico para atacá-lo. No caso de pessoas que têm HIV/Aids, esses males podem ser fatais, devido à vulnerabilidade desses indivíduos. São exemplos as infecções recorrentes ocasionadas por fungos, diarreia crônica, pneumonia e tuberculose.

De acordo com o infectologista Érico, na lista de medicamentos que estão em falta constam a sulfadiazina, pirimetamina, sulfametoxazol (bactrim) e a clindamicina. Segundo o médico, houve uma reposição de estoque na última segunda-feira (26), mas a quantidade é insuficiente para a demanda e ainda falta a reposição de seis tipos de remédio. "A quantia disponibilizada não atende aos pacientes que temos. O que foi reposto supre a necessidade de um mês", enfatiza.

A situação exposta pelo médico é reiterada pelo coordenador da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids - Ceará (RNP-CE), Vando Oliveira. Conforme ele, pacientes saem do São José e dirigem-se à sede da RNP, que fica nas proximidades do Hospital, no bairro Parquelândia, para registrarem as queixas sobre a carência de medicamentos.

Vando também relata que a distribuição irregular dos remédios específicos ocorre há mais de um mês, mas nas últimas semanas, segundo ele, as reclamações têm se intensificado. O representante da RNP reforça o risco de acréscimo da carga viral no organismo das pessoas que vivem com HIV/Aids devido à falta de administração destes medicamentos. O coordenador acrescenta, ainda, que alguns itens têm o custo estimado entre R$ 50,00 e R$ 60,00, mas ressalta que o valor é considerado alto pelos pacientes atendidos na unidade, que, em geral, são pessoas de baixa renda.

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