segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Dilma distribui com partidos cargos do 2º e 3º escalão

Dilma atende aliados com cargos
Ainda no trabalho de recomposição da base, a presidente Dilma Rousseff tem atendido aliados com cargos do segundo e terceiro escalões. Algumas indicações estão sendo questionadas pela inexperiência dos novos titulares e muitas vezes o desconhecimento destes da área que comandará. As informações são do Jornal Folha de S. Paulo.

Dilma indicou um turismólogo para comandar a Funasa (Fundação Nacional de Saúde) na Bahia; um corretor de imóveis irá gerir a CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) na Paraíba e um engenheiro sem experiência no setor portuário para a Companhia Docas no Rio Grande do Norte.

Sem se importar com as críticas Dilma aposta na distribuição de cargos para concluir o ajuste fiscal e afastar o risco de impeachment. Uma das indicações mais polêmicas foi a do novo superintendente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na Bahia, Fernando Ornelas. A indicação foi do deputado José Carlos Araújo (PSD/BA). Ele substitui Carlos Amorim, com mais de 30 anos de experiência. O Instituto dos Arquitetos do Brasil repudiou a nomeação de um gestor.

A distribuição de cargos também envolveu parentes. No Rio Grande do Norte, o novo diretor financeiro da Companhia Docas é Emiliano Rosado, indicado pelo primo deputado, Beto Rosado (PP­RN). Engenheiro civil, Emiliano

DESFAXINA

A onda de nomeações também alcança cargos que foram palco da chamada faxina feita por Dilma em seu primeiro mandato, quando demitiu vários por suspeita de corrupção. Nesses casos, foram contemplados PTB, PP, PR, PSD e PRB, siglas que, em outubro, ajudaram a esvaziar a sessão do Congresso de análise de vetos presidenciais, impondo derrota ao governo.

Para a diretoria de administração e finanças do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), por exemplo, a presidente nomeou Fernando Fortes Melro Filho, indicação da bancada do PR de Alagoas na Câmara.

Na diretoria da Companhia Nacional de Abastecimento, o governo acomodou Igo Nascimento, do PSD­TO. Em 2011, Dilma ordenou uma faxina na empresa, vinculada à Agricultura, após denúncia de que Oscar Jucá Neto, então diretor da Conab, teria liberado pagamento irregular de R$ 8 milhões a uma empresa.

Irmão do senador Romero Jucá (PMDB­RR), Oscar saiu dizendo que havia um esquema de corrupção na pasta, o que foi refutado pelo então ministro Wagner Rossi.

Alvo também de denúncia no primeiro mandato, a Casa da Moeda foi entregue à bancada do PTB, que indicou o presidente Mauricio Luz. Em 2012, o então chefe da empresa, Luiz Felipe Denucci, também indicado pelo PTB, foi demitido por suspeita de recebimento de propina.

Dilma entregou ainda a Superintendência da Zona Franca de Manaus ao PP. E a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo para nome indicado pelo PRB. Os dois órgãos foram palco de crises no início do primeiro mandato, sempre por conta de denúncias.

Desde a faxina, esses cargos vinham sendo ocupados por servidores de carreira.

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