terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Taxa de desemprego deve atingir dois dígitos em 2016

As cidades do Interior cearense sofrem não só com a seca, mas com a queda no emprego formal, resultado da retração econômica, que tende a se agravar no próximo ano. O mercado de trabalho apresenta dados negativos e a taxa de desemprego, que chega a 9,5%, deve atingir os dois dígitos em 2016. Os setores da indústria (calçado e têxtil), comércio e construção civil lideram as estatísticas negativas.

O Ceará segue a tendência nacional e o ano de 2015 fechará com saldo negativo, tendo desempregado mais do que contratado. De janeiro a outubro deste ano, a diferença entre demissões e contratações chega a 18.942, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Não há perspectiva de reversão dessa tendência. Ao contrário, a situação tende a piorar, segundo avaliação de economistas e técnicos que analisam o mercado de trabalho.

"O desemprego chegou a um índice elevado, com forte tendência de alcançar dois dígitos em 2016 e isso é preocupante", observou o coordenador de Estudos e Análises de Mercado do Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita. "Precisamos de uma política pública efetiva de combate ao desemprego, procurar desenvolver mais a economia regional".

A tendência é de piora do cenário para 2016, em particular o primeiro trimestre, que historicamente apresenta desaquecimento das atividades produtivas industriais e do varejo. "No último trimestre do ano, para o quadro, está favorável, mas está piorando", diz Mesquita. No Ceará, o acumulado do ano até outubro é de 364 mil desempregados.

Mais afetadas

Das dez cidades que mais apresentaram saldo negativo, a maioria, sete, está na Região Metropolitana da Capital. As outras três são Crato, Russas e Sobral. Resultado de retração nos setores da indústria calçadista, no comércio varejista e na agropecuária. "Os núcleos urbanos mais estruturados de influência regional têm maior impacto mediante a crise econômica", observou Erle Mesquita.

A redução no deslocamento de consumidores do entorno das cidades polos regionais afeta a economia dos médios centros urbanos. Nas pequenas cidades, a economia sem força tem menor impacto.

Pior que a previsão

O cenário econômico de fechamento de postos de trabalho e retração econômica está pior do que as previsões feitas para este ano. "A gente imaginava um ano difícil, mas está muito pior", reafirma Mesquita. "Houve uma reversão de tendência. Os últimos dois anos estavam em desaceleração, mas com saldo positivo". Desde 1998, que os índices de desemprego não eram tão negativos como os atuais. Neste período do ano, ocorrem as ocupações temporárias. Entretanto, esse tipo de contratação revela queda de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Interior é afetado pelos efeitos da crise. As demissões foram puxadas pelo setor industrial, comércio e construção civil. O setor agropecuário em algumas regiões mostrou números positivos e o de serviços de um modo geral permaneceu favorável, contratando um pouco mais do que demitindo. Pelo décimo primeiro mês o emprego na indústria vem despencando e no comércio já chega ao sexto mês seguido de queda. Na construção civil é o terceiro. "As pessoas estão consumindo menos com medo de ficarem desempregadas e isso faz parte de um ciclo negativo que afeta a economia", mostra Mesquita.

Nas unidades de atendimento aos trabalhadores do Sistema Nacional de Emprego (Sine)/IDT em 30 municípios do Ceará, a demanda por emprego teve amplo crescimento nos últimos meses, mas a oferta de vagas caiu.

"A crise geral chegou ao Interior. Não se está contratando. Na maioria das empresas de varejo e na indústria houve demissões", disse o gestor substituto da unidade de Iguatu, Francisco Fernandes. Ele avalia que, comparando com 2014, a oferta de posto temporário caiu 50%.

Para a região do Cariri cearense, a redução de vagas de emprego temporário foi de 30%, de acordo com informações da coordenadora do Sine/IDT para a região Sul, Ariadne Albuquerque: "Estamos atravessando um período de adequação da economia. As contratações temporárias estão mais restritas às lojas de departamento". Nas regiões Centro-Sul e Sul do Ceará, as ocupações na indústria da construção civil e no setor de serviços estão se mantendo. Neste ano, houve até um aumento no segmento de obras públicas, com a contratação de operários para a implantação da Ferrovia Transnordestina, no trecho Aurora - Acopiara, e na construção do Cinturão das Águas, no Cariri.

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