quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

El Niño perde intensidade, mas ainda interfere nas chuvas

O homem do campo ainda tem fé nos profetas da chuva
As chuvas dos primeiros dias de 2016 trouxeram esperança para o povo cearense. Mas, caso as previsões se confirmem, o Estado deverá enfrentar o quinto ano consecutivo de seca, o que poderá agravar ainda mais a situação das reservas hídricas, já crítica. De acordo com dados do Portal Hidrológico da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), o volume de armazenamento dos 153 açudes cearenses é de 12,1%. A boa notícia é que o El Niño começa a perder a sua intensidade. Ainda assim, deverá interferir negativamente nas chuvas do Ceará.

Depois de passar pelo seu período máximo, próximo aos 3°, o fenômeno começa a perder força, explica o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Raul Fritz. Porém a previsão pelos modelos climáticos internacionais é de que, em abril e maio, ele ainda esteja forte, podendo estar de 1,5º a 2,0º. Caso isso ocorra, acrescenta que vai exercer influência negativa nas chuvas do Ceará. "Apesar de o fenômeno estar se dissipando, como é um processo gradual, deve influenciar negativamente nos meses mais chuvosos", frisa.

Média

Até existe a possibilidade de ele perder força rapidamente, dando tempo de chover na média, esclarece Fritz, mas ela é muito remota. Já aconteceram casos no passado. A última vez que sucedeu foi em 1973. "Na meteorologia, tudo é possível. Entretanto, no momento, os modelos indicam um decréscimo gradual da intensidade do fenômeno. Não significa ausência total de chuva. Vai chover, inclusive com modelos de precipitações intensas, mas os totais acumulados mensais e trimestrais tendem a ficar abaixo da média", ressalta.

Outro agravante que cita é a má distribuição das chuvas no Estado. Às vezes, diz, a variação é tão grande que dentro de um mesmo município é possível perceber. "Um distrito chove mais que o outro, isso é muito comum no Ceará. As chuvas estão localizadas", afirma. A esperança, segundo o especialista, é a Zona de Convergência Intertropical - fenômeno que tende a generalizar mais as chuvas.

Outro evento que interfere fortemente na quadra chuvosa cearense são as condições da temperatura da superfície do oceano Atlântico. São elas, conforme o meteorologista, que regulam a atuação da Zona de Convergência do Oceano Atlântico.

Pré-estação

Neste período do ano, de pré-estação chuvosa, operam sistemas meteorológicos que não têm relação direta com a chuva, que se inicia em meados de fevereiro. "São sistemas diferentes", explica Fritz. Em janeiro, as precipitações são provocadas por Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis e Cavados de Alto Nível.

"São sistemas diferentes do principal e praticamente único que atua de fevereiro a março, que é a Zona de Convergência Intertropical. Ela tende a trazer chuvas mais regulares, principalmente nos meses de março, abril e, muitas vezes, também em maio. Porém, com o El Niño nessa intensidade, certamente deverá prejudicar as chuvas deste período", observa o especialista.

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