sábado, 9 de janeiro de 2016

Profetas da chuva dizem que a quadra chuvosa será favorável em 2016

Os profetas se baseiam nas ações da natureza
A preocupação com a possibilidade de a estiagem se prolongar por mais um ano no Ceará está descartada. Essa é a avaliação dos idealizadores e realizadores do Encontro dos Profetas da Chuva de Quixadá, o comerciante João Soares e o engenheiro químico Helder Cortez. Apesar de 14 profetas terem se apresentado ao público, dividindo o diagnóstico chuvoso entre regular e bom, outros 18 estiveram presentes ao Encontro, e segundo as previsões da maioria o "inverno" será favorável.

João Soares e Helder Cortez se referem ao momento como histórico-cultural, onde buscam a preservação da tradição da sabedoria popular, através da ciência de observar a natureza e encontrar nos seus sinais o diagnóstico meteorológico para o período chuvoso no Ceará. Manter esse costume é necessário para incentivar as novas gerações a se interessarem por esse hábito sertanejo, ressaltam.

Conforme João Soares, presidente do Instituto de Pesquisas, Violas e Poesia Cultural do Sertão Central, entidade responsável pela realização do evento, apenas parte dos profetas e uma profetisa, Lurdinha Leite, apresentaram suas previsões ao público porque muitos deles, assediados pela imprensa de várias regiões do Ceará e até de outros estados, haviam saído para reportagens no campo e não tinham retornado até o enceramento das apresentações.

O aposentado José Célio de Assis, 88 anos, mais velho dos participantes, preferiu não sair do espaço de Convivência Luiz Gonzaga, no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), onde eles se reuniram este ano. Ele confessa ter herdado dos avós a habilidade com as experiências do campo. “Eles adivinhavam até de três a quatro dias quando ia chover. Hoje, também não faço feio. Para este ano, chove aqui, mas não chove acolá, mas pode ter chuva de mais de 400 milímetros”, comentou.

Participando do Encontro desde a sua segunda edição, viajando de Camocim para Quixadá, o oficial aposentado da Marinha Mercante, Luiz Gonzaga, de 63 anos, é o único do grupo a não se auto-qualificar como profeta da chuva. Como utiliza métodos científicos para realizar suas previsões ele se considera um pesquisador. Gonzaga  avalia a temperatura dos oceanos, a posição da zona de Convergência Intertropical (ZCI) e os elementos do clima – temperatura, umidade, a pressão atmosférica e o vento – no período de janeiro a junho.

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